Significado
A Mulher, conhecida no Brasil também como A Cigana, ocupa no baralho um lugar estruturalmente diferente do das outras trinta e quatro cartas. Elas carregam uma palavra: chegar, desgastar, ligar, escrever. A carta 29 carrega uma pessoa. É o que se chama de carta-sujeito, ou significadora.
As duas nomenclaturas convivem, e vale a pena conhecê-las. A escola do Petit Lenormand, tal como fixada nas edições portuguesas, nomeia a carta 29 A Mulher. A escola brasileira do baralho cigano a chama quase sempre de A Cigana. É a mesma carta, com a mesma função: o nome muda com a tradição, a leitura não.
Ela designa a consulente quando esta é uma mulher, ou a figura feminina central da pergunta quando quem consulta não é a pessoa em causa: a parceira, a mãe, a sócia, a chefe. Ela não descreve um temperamento, ela ocupa um lugar. Por isso se lê muito mal isolada: uma carta-sujeito sozinha diz apenas alguém, e nada mais.
A iconografia da linhagem Dondorf, por volta de 1890, a representa de corpo inteiro, com frequência de perfil, voltada para um dos lados da carta. Algumas escolas leem essa orientação: o que a personagem olha seria aquilo em direção ao que ela vai, e o que deixa atrás de si aquilo que ela abandona. A convenção muda de um baralho para outro, então é melhor conferir o seu próprio exemplar antes de fazer disso uma regra.
A carta 29 e O Homem são as duas cartas-sujeito principais do Petit Lenormand, e se respondem. Colocadas lado a lado, deixam de falar de dois indivíduos para falar da relação que os sustenta.
Outras cartas-pessoa podem servir de significadores secundários quando a pergunta envolve várias figuras: a Criança (13) para um jovem ou um recém-chegado, o Cachorro (18) para um próximo fiel, a Raposa (14) para uma figura profissional ou para alguém cujas intenções pedem verificação, o Urso (15) para uma autoridade ou uma pessoa mais velha, a Cobra (7) para uma pessoa que complica, a Cegonha (17) para quem traz uma mudança, os Lírios (30) para uma figura de experiência. Essas cartas mantêm a sua palavra habitual: só viram pessoas se a pergunta pedir isso explicitamente.
Por fim, A Mulher não anuncia nada. Não promete encontro nem retorno. Ela nomeia um lugar ocupado na situação no momento da tiragem, e esse lugar é o eixo de toda a leitura.
Carta de baralho e leitura tradicional
A Mulher traz o encarte do Ás de Espadas. Essa correspondência vem do baralho de piquet de 36 cartas que acompanhava o Petit Lenormand na origem, e é estável na linhagem Dondorf.
Na escola alemã, o naipe de Espadas dá peso e seriedade: o que compromete, o que corta, o que vem de uma instância. Numa carta-sujeito, essa nuance pede prudência: ela nada diz do caráter da pessoa, apenas lembra que o lugar ocupado é central e que carrega peso na tiragem. O valor de Ás acrescenta a ideia de base e de ponto de partida.
Algumas edições modernas não imprimem esse encarte e o substituem por uma quadra ou por nada. A correspondência continua válida para a leitura, ela apenas não aparece na arte da carta.
Combinações essenciais
O sentido nasce do par. A gramática é fixa: a primeira carta é o substantivo, a segunda o qualificativo. Com uma carta-sujeito, a regra se lê de forma simples: a carta que segue A Mulher descreve o que a caracteriza ou o que a ocupa.
| Combinação | Leitura |
|---|---|
| A Mulher + O Coração | Uma mulher apaixonada, um sentimento que parte dela |
| A Mulher + O Homem | O casal, a relação entre os dois sujeitos |
| A Mulher + A Raposa | Uma mulher na sua profissão, a sua vida de trabalho |
| A Mulher + O Caminho | Uma mulher diante de uma escolha |
| A Mulher + A Âncora | Uma mulher estável, firmada na sua situação |
A mecânica completa dos pares está detalhada na página sobre a leitura por combinações.
Posição no Grand Tableau
A posição 29 de um Grand Tableau é a casa da Mulher: o lugar da figura feminina. Mas a carta 29 desempenha ali sobretudo outro papel, o de ponto de ancoragem da leitura inteira.
Localiza-se primeiro a carta, depois se lê a mesa a partir dela. As cartas situadas atrás dela dizem respeito ao que precede, as que estão à frente ao que vem depois, as de cima ao que domina a situação, as de baixo ao que a sustenta. A distância faz o resto: quanto mais perto do sujeito, mais uma carta pesa e mais atual ela é; quanto mais longe, mais fraca ou mais remota é a sua influência no desenrolar.
Os três formatos de mesa, a leitura das distâncias e a tabela das trinta e seis casas estão detalhados na página do Grand Tableau.
Palavras-chave
| Registro | Palavras |
|---|---|
| Sentido central | Carta-sujeito: aquela em torno de quem a leitura se organiza |
| Nomes | A Mulher no Petit Lenormand, A Cigana no baralho cigano brasileiro |
| Papel | A consulente, a figura feminina central |
| Função de leitura | Ponto de ancoragem, referência de posição, medida das distâncias |
| Significadores secundários | Criança, Cachorro, Raposa, Urso, Cobra, Cegonha, Lírios |