Significado
O Rato abre a série dos doze ramos terrestres. Esta primeira posição já diz algo do signo: designa o momento em que uma coisa começa quando nada é ainda visível. A sua hora dupla corre das 23h à 01h, no fundo da noite, o seu mês cai em pleno Inverno, e a sua direção é o Norte. O Rato trabalha naquilo que ainda não está iluminado.
A sua palavra cabe numa linha: a engenhosidade que agarra a abertura antes dos outros. Não é uma inteligência de síntese, nem uma força de choque, é uma velocidade de leitura. O Rato deteta o interstício, o momento em que uma porta não ficou completamente fechada, o recurso que ninguém tinha pensado em contar. Onde outros esperam que a situação se torne legível, ele já se mexeu.
Desta vivacidade decorre o seu faro, que é menos um dom do que uma atenção constante aos sinais fracos. Explica também o seu oportunismo, palavra que se toma erradamente por censura: nomeia uma maneira de agir no momento exato em que a ação custa menos. O reverso é conhecido. Uma dificuldade em comprometer-se enquanto nada aperta, e um gosto pelas portas entreabertas que pode adiar indefinidamente a passagem por uma só.
A reserva completa o retrato. O Rato não mostra tudo o que viu, nem tudo o que pôs de lado. Esta discrição não é dissimulação: é uma economia, porque o que fica de reserva fica disponível. A sua adaptabilidade faz o resto. Permite-lhe mudar de forma sem nunca mudar de objetivo, o que desorienta quem toma a forma pela intenção.
O ramo e o seu elemento
O ramo do Rato é Zi, o primeiro dos doze. O seu elemento é a Água, a sua polaridade é Yang.
Um ramo não é um bloco maciço: abriga um ou vários troncos celestes, chamados os seus troncos ocultos, que matizam a sua leitura. Zi abriga apenas um, Gui, a Água Yin.
O fundo do signo é portanto da mesma matéria que a sua superfície, Água e nada mais. O Rato é um signo sem mistura, o que explica a nitidez do seu temperamento: uma só lógica o governa. A polaridade, essa, inverte-se de um nível para o outro. O ramo é Yang, o seu tronco oculto é Yin. O impulso volta-se para fora, a matéria que o sustenta permanece interior e flexível. É exatamente a distância entre a vivacidade visível do Rato e a sua reserva.
A Água de Zi é a do Inverno e do Norte. Não uma água que transborda: uma água que se infiltra, e que passa por toda a parte onde existe passagem.
Alianças e choques
Três relações situam o Rato entre os doze ramos. Não existem outras.
A aliança, Liu He, emparelha-o com Chou, o Búfalo. Reunidos, os dois ramos produzem a Terra: a mobilidade de um encontra a constância do outro, e o par dá solo.
O choque frontal, Liu Chong, opõe-no a Wu, o Cavalo, o ramo que lhe fica de frente no círculo dos doze. Este ramo Wu não deve ser confundido com o tronco celeste Wu, a Terra Yang, que aparece mais abaixo nos anos de 1948 e 2008: são dois carateres chineses distintos cuja romanização coincide.
O triângulo de afinidade, San He, reúne Shen (o Macaco), Zi (o Rato) e Chen (o Dragão) em torno da Água. O Rato ocupa nele a posição central, aquela onde o elemento é mais puro.
Estas relações descrevem laços entre ramos, não entre pessoas. Ler um entendimento amoroso apenas pelo animal do ano é o contrassenso mais espalhado da astrologia chinesa: esse animal é apenas um caráter entre os oito de um mapa, e os outros sete ficam por ler.
Referências do signo
| Referência | Valor |
|---|---|
| Posição | 1.º dos doze ramos terrestres |
| Ramo | Zi |
| Elemento e polaridade | Água, Yang |
| Tronco oculto | Gui (Água Yin) |
| Hora dupla | 23h - 01h |
| Mês BaZi | 11.º mês (dezembro, depois de Daxue) |
| Estação | Inverno |
| Direção | Norte |
| Aliança (Liu He) | Chou, o Búfalo, que produz a Terra |
| Choque (Liu Chong) | Wu, o Cavalo |
| Triângulo (San He) | Shen, Zi, Chen, que produz a Água |
| Ano | Tronco celeste do ano |
|---|---|
| 1936 | Bing, Fogo Yang |
| 1948 | Wu, Terra Yang |
| 1960 | Geng, Metal Yang |
| 1972 | Ren, Água Yang |
| 1984 | Jia, Madeira Yang |
| 1996 | Bing, Fogo Yang |
| 2008 | Wu, Terra Yang |
| 2020 | Geng, Metal Yang |
| 2032 | Ren, Água Yang |
O pilar do ano muda em Lichun, por volta de 4 de fevereiro, e não no Ano Novo chinês nem a 1 de janeiro. Um nascimento de janeiro pertence portanto ao ano animal anterior, ponto a verificar antes de nos colocarmos numa destas linhas.
Palavras-chave
- Vivacidade
- Faro
- Oportunismo
- Reserva
- Adaptabilidade